The 9 Classes of Hazardous Materials Guide

Guia das 9 Classes de Produtos Perigosos

No Brasil, todo produto perigoso deve ser classificado em uma das nove classes padronizadas internacionalmente antes do transporte. Essas classes seguem o "Livro Laranja", Regulamento Modelo da ONU, que foi criado com o propósito de padronizar as regras de transporte de materiais perigosos em todo o mundo. A Resolução ANTT 5.998/22 adota esse sistema internacional e estabelece como os produtos devem ser embalados, rotulados, documentados e manuseados durante o transporte rodoviário.

Distinção Crítica: A classificação de materiais perigosos para transporte (também referida como TDG - Transportation of Dangerous Goods da ONU), NÃO é a mesma que a classificação GHS (Sistema Globalmente Harmonizado, também da ONU). Os sistemas são diferentes porque têm objetivos diferentes - o TDG usa 9 classes focadas no risco que cada produto apresenta quando transportado, como inflamável, corrosivo, enquanto o GHS é mais amplo, cobrindo perigos à saúde, físicos e ambientais, com um total de 29 classes e subclasses. O GHS é usado na Seção 2 das Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ). Essa confusão entre os dois sistemas não é apenas um simples erro, é um erro grave que pode constituir uma violação da legislação brasileira.

Quem Classifica os Produtos no Brasil?

A responsabilidade pela classificação pertence a:

  • O fabricante, ou
  • O expedidor, orientado pelo fabricante, ou
  • A autoridade competente, quando aplicável

A classificação é baseada nas características físicas, químicas, toxicológicas e ambientais do produto.

O Processo de Decisão para Classificação

Avaliar Características Físicas, Químicas e Toxicológicas do Produto
Este produto é PERIGOSO para transporte rodoviário conforme as regulamentações brasileiras?
SIM
CLASSIFICAR EM UMA DAS 9 CLASSES
1
Identificar a Classe de Risco Principal (1-9)
2
Verificar Riscos Subsidiários
3
Determinar o Grupo de Embalagem (I, II, III)
4
Consultar a Relação Brasileira de Produtos Perigosos
5
Verificar Provisões Especiais
6
Documentar a Classificação Completa
7
Preparar Rótulos e Documentos de Transporte
NÃO
NÃO REGULAMENTADO
Ações Necessárias:
  • Documentar a decisão
  • Manter registros para auditoria
  • Rótulos especiais não necessários
  • Transporte padrão se aplica

GUIA RÁPIDO DE DECISÃO

  • Produto é Perigoso: Seguir o processo de classificação em 7 etapas
  • Produto NÃO é Perigoso: Documentar a determinação e prosseguir com transporte padrão

AS 9 CLASSES DE PRODUTOS PERIGOSOS

Sistema Internacional da ONU | Regulamentado no Brasil pela Resolução ANTT 5.998/22
1
EXPLOSIVOS
Dividida em seis divisões (1.1 a 1.6) baseadas no tipo e intensidade do perigo explosivo:
1.1 Explosão em massa 1.2 Risco de projeção 1.3 Risco de fogo 1.4 Risco menor 1.5 Insensíveis 1.6 Extremamente insensíveis
2
GASES
Dividida em três subclasses:
2.1 Inflamáveis 2.2 Não Inflamáveis 2.3 Tóxicos
3
LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS
Inclui tintas, vernizes, solventes e produtos similares. Categorizados por grupos de embalagem (I, II ou III) baseados no nível de perigo.
4
SÓLIDOS INFLAMÁVEIS
Dividida em três divisões:
4.1 Sólidos inflamáveis 4.2 Combustão espontânea 4.3 Perigosos quando molhados
5
SUBSTÂNCIAS OXIDANTES E PERÓXIDOS ORGÂNICOS
Dividida em duas divisões:
5.1 Substâncias Oxidantes 5.2 Peróxidos Orgânicos
6
SUBSTÂNCIAS TÓXICAS E INFECTANTES
Dividida em duas divisões:
6.1 Substâncias Tóxicas 6.2 Substâncias Infectantes
7
MATERIAIS RADIOATIVOS
Classe única com requisitos especializados de rotulagem e manuseio. Não segue os formatos padrão de rótulos usados para outras classes.
8
SUBSTÂNCIAS CORROSIVAS
Materiais que danificam tecidos ou metais. Regra especial de rotulagem: texto e números aparecem em BRANCO (não preto) nos rótulos.
9
SUBSTÂNCIAS E ARTIGOS PERIGOSOS DIVERSOS
Produtos que apresentam perigos durante o transporte não cobertos pelas Classes 1-8. Devem exibir rótulo da Classe 9 e nome apropriado para embarque.

CONCEITOS-CHAVE DE CLASSIFICAÇÃO

Risco Principal A classe de perigo principal do produto
Risco(s) Subsidiário(s) Perigos adicionais que requerem rótulos extras
Número ONU Código de identificação de quatro dígitos para cada produto
Nome Apropriado para Embarque Designação oficial de transporte para documentação

GRUPOS DE EMBALAGEM (Classes 3, 4, 5, 6, 8)

I
Alto Perigo
II
Médio Perigo
III
Baixo Perigo

Entendendo os Riscos Subsidiários

Muitos produtos perigosos têm mais de um tipo de perigo. Esses perigos são identificados através do Número de Risco (seção superior do painel laranja) e aparecem nos rótulos das embalagens:

  • Risco Principal: A classe de perigo principal (primeiro dígito do número de risco)
  • Risco(s) Subsidiário(s): Perigos adicionais (segundo e terceiro dígitos, quando presentes)

Como Ler o Painel Laranja de Risco

Exemplo 1: Produto com Risco Subsidiário

X886
1831
1º dígito (X): "Perigoso quando molhado" - produto reage com água
2º e 3º dígitos (88): Altamente corrosivo (número repetido = maior intensidade)
4º dígito (6): Tóxico/venenoso (risco subsidiário)
ONU 1831 = Ácido Sulfúrico
Classe Principal: 8 (Corrosivo)
Risco Subsidiário: 6 (Tóxico)

Exemplo 2: Produto Altamente Inflamável

33
3475
1º dígito (3): Líquido inflamável
2º dígito (3): Líquido inflamável (repetido = altamente inflamável)
ONU 3475 = Mistura de Gasolina e Etanol
Classe Principal: 3 (Líquido Inflamável)
Risco Subsidiário: Nenhum - número repetido indica alta intensidade

Exemplo 3: Produto SEM Risco Subsidiário

40
1350
1º dígito (4): Sólido inflamável
2º dígito (0): Zero indica ausência de risco secundário
ONU 1350 = Enxofre
Classe Principal: 4 (Sólido Inflamável)
Risco Subsidiário: Nenhum
Regras Importantes sobre Números de Risco:
  • Quando um número é repetido (ex.: 33, 88), indica MAIOR intensidade do perigo
  • Quando o número é 0 (ex.: 40), indica AUSÊNCIA de risco secundário
  • A letra X no início significa que o produto reage perigosamente com água - NÃO use água em emergências!
  • Os rótulos de classe devem ser colocados próximos uns dos outros na embalagem quando há riscos subsidiários

A Relação Brasileira de Produtos Perigosos

O Brasil mantém uma lista oficial de produtos perigosos comumente transportados com:

  • Números ONU
  • Nomes apropriados para embarque
  • Classes de risco e riscos subsidiários
  • Grupos de embalagem
  • Provisões especiais
  • Limites de quantidade limitada
Para consultar a lista de produtos, acesse:
Lista de Produtos Perigosos ABTI

Classificação GHS, FISPQ vs. TDG, Classificação para Transporte

Qual é a Diferença?

GHS (Sistema Globalmente Harmonizado) tem um foco mais amplo no produto químico. Ele avalia não apenas os perigos durante o transporte, mas também outros riscos relacionados ao uso, armazenamento e manuseio seguro de substâncias químicas em armazéns, fábricas e laboratórios. É o sistema que orienta a preparação da Seção 2 da Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ). Pense nisso como "o que acontece dentro da fábrica."

A classificação para transporte, também chamada TDG (Transportation of Dangerous Goods) é detalhada no Livro Laranja (Regulamento Modelo da ONU para o Transporte de Produtos Perigosos). Seu objetivo é identificar os perigos do produto durante o movimento em rodovias, ferrovias, vias aéreas ou hidrovias. Esta classificação orienta equipes de emergência, transportadores e autoridades sobre os riscos que existem durante o transporte. Pense nisso como "o que acontece na estrada."

Aspecto GHS (ABNT NBR 14725) Transporte (ANTT 5.998/22)
Propósito Segurança no local de trabalho - armazenamento e manuseio Segurança no transporte - movimento em rodovias/ferrovias/ar/mar
Foco Proteção do trabalhador durante uso diário Segurança pública e resposta a emergências durante transporte
Base da classificação Perigos à saúde, físicos e ambientais Riscos durante transporte (fogo, explosão, vazamento)
Encontrada em FISPQ Seção 2 (Identificação de Perigos) FISPQ Seção 14 (Informações sobre Transporte), documentos de transporte, rótulos, painéis
Número de classes Múltiplas categorias de perigo 9 classes principais
Usado para Operações do dia a dia dentro das instalações Embarque, emergências e conformidade regulatória

Exemplo Prático: Acetona

Acetona é um solvente industrial comum. Veja como ela é classificada em AMBOS os sistemas:

Classificação GHS (Local de Trabalho/Armazenamento):

  • Líquido Inflamável - Categoria 2
  • Irritação Ocular - Categoria 2A
  • STOT Exposição Única - Categoria 3 (efeitos narcóticos)

O que isso significa para os trabalhadores: Usar óculos de segurança, usar em áreas ventiladas, evitar exposição prolongada, manter longe de fontes de calor.

Classificação para Transporte (Transporte Rodoviário):

  • ONU 1090
  • Nome Apropriado para Embarque: ACETONA
  • Classe: 3 (Líquidos Inflamáveis)
  • Grupo de Embalagem: II (Perigo médio)

O que isso significa para o transporte: Deve usar embalagem aprovada, exibir rótulos da Classe 3, portar informações de resposta a emergências, seguir restrições específicas de rota.

Por Que o Mesmo Produto Tem Classificações Diferentes

Os sistemas avaliam riscos diferentes:

  • GHS analisa o que acontece quando trabalhadores manuseiam o produto diariamente - exposição crônica, contato com a pele, inalação ao longo do tempo
  • Transporte analisa o que acontece em um acidente - risco imediato de incêndio, potencial de explosão, dano ambiental de um derramamento

Exemplo: Um produto pode ser altamente tóxico se inalado diariamente (importante para GHS) mas estável durante o transporte (menos crítico para classificação de transporte). Por outro lado, um produto pode ser seguro para uso diário mas extremamente inflamável durante o transporte.

Regra Crítica: NUNCA use apenas a classificação GHS da sua FISPQ para fins de transporte. Você deve realizar uma classificação de transporte separada de acordo com os regulamentos da ANTT. Ambas são legalmente exigidas, e ambas servem propósitos diferentes.

Onde Encontrar Cada Classificação

  • Classificação GHS: Seção 2 da FISPQ (Identificação de Perigos)
  • Classificação para Transporte: Seção 14 da FISPQ (Informações sobre Transporte) - mas sempre verifique independentemente

Para mais informações especificamente sobre GHS, acesse: https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/ghs/

Etapas de Classificação para o Brasil

1
Avaliar as propriedades físicas, químicas e toxicológicas do produto
2
Determinar se é perigoso para transporte conforme regulamentações brasileiras
3
Se perigoso, identificar a classe de perigo principal (1-9)
4
Verificar riscos subsidiários
5
Consultar a Relação Brasileira oficial de Produtos Perigosos
6
Determinar o grupo de embalagem (se aplicável)
7
Documentar tudo para documentos de transporte e rótulos

Casos Especiais no Brasil

Embalagens Vazias e Não Limpas

Exceto para a Classe 7 (radioativo), embalagens vazias que continham produtos perigosos devem ser classificadas e rotuladas de acordo com o que continham anteriormente.

Formato: ONU 3509 EMBALAGENS VAZIAS, NÃO LIMPAS, 9

Quantidades Limitadas

Ao transportar pequenas quantidades que atendem aos limites de quantidade limitada, certos requisitos podem ser dispensados. O documento deve incluir a notação "QUANT. LTDA".

Produtos Residuais

Adicionar "RESÍDUO" antes do nome de embarque:

Exemplo: ONU 1824 RESÍDUO SOLUÇÃO DE HIDRÓXIDO DE SÓDIO 8 II

Por Que a Classificação Correta é Importante

Para Resposta a Emergências Equipes de primeiro atendimento precisam de informações corretas sobre perigos imediatamente
Para Compatibilidade Previne reações perigosas entre materiais incompatíveis
Para Conformidade Legal Protege contra processos criminais sob a Lei de Crimes Ambientais do Brasil
Para Segurança Garante precauções adequadas em toda a cadeia de transporte
Consequências da Classificação Incorreta:
  • Lesões pessoais ou danos ambientais
  • Responsabilidade criminal sob o Artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais
  • Multas imediatas e apreensão de carga
  • Suspensão de licença comercial
  • Danos à reputação

Documentação Obrigatória no Brasil

As informações de classificação devem aparecer em:

Documento de Transporte Completo com número ONU, nome apropriado para embarque, classe e grupo de embalagem
FISPQ/FDS (ABNT NBR 14725) Seção 14 contém informações de transporte
Ficha de Emergência (ABNT NBR 7503) Não mais obrigatória, mas ainda recomendada para segurança e referência rápida
Rótulos e Painéis Identificação visual em embalagens e veículos

Guia de Referência Rápida

REQUISITOS LEGAIS OBRIGATÓRIOS

  • O Brasil exige classificação para transporte, não apenas GHS
  • A classificação deve ser feita antes do transporte
  • Tanto expedidores quanto transportadores são responsáveis por erros
  • A documentação deve estar em português
  • Penalidades criminais se aplicam a violações

MELHORES PRÁTICAS OPERACIONAIS

  • Revisar classificações regularmente conforme regulamentos são atualizados
  • Treinar todo o pessoal sobre requisitos de classificação
  • Manter documentação para fins de auditoria
  • Verificar classificações fornecidas por fornecedores
  • Consultar especialistas quando houver dúvidas

Erros Comuns de Classificação

  • Usar apenas a classificação GHS
  • Assumir que classificações estrangeiras se aplicam no Brasil
  • Omitir riscos subsidiários
  • Designação errada de grupo de embalagem
  • Descrições incompletas de produtos
  • Não classificar embalagens vazias
  • Falhar em atualizar após mudanças na formulação

Conclusão

O sistema internacional de 9 classes de produtos perigosos, adotado pelo Brasil através dos regulamentos da ANTT, garante comunicação consistente de perigos em toda a cadeia de transporte. Apesar da complexidade das regulamentações para manuseio e transporte de materiais perigosos, as empresas podem alcançar conformidade rapidamente com processos robustos e verificações adequadas, operando com segurança e em total conformidade.

PONTOS-CHAVE

  • A classificação é obrigatória antes do transporte no Brasil
  • A classificação para transporte difere da classificação GHS
  • Tanto expedidores quanto transportadores são legalmente responsáveis
  • Classificação incorreta pode resultar em acusações criminais
  • Em caso de dúvida, consulte especialistas qualificados. A Hazmat Line pode recomendar o profissional mais adequado para o seu caso.

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Este artigo fornece informações educacionais sobre classificação de produtos perigosos no Brasil. Não constitui aconselhamento jurídico e não substitui os regulamentos oficiais. Para questões específicas de classificação, consulte especialistas regulatórios brasileiros qualificados.
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